{"id":3636,"date":"2020-05-01T05:08:39","date_gmt":"2020-05-01T08:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.intuicao.com\/?page_id=3636"},"modified":"2020-05-06T05:44:51","modified_gmt":"2020-05-06T08:44:51","slug":"ame-seu-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/intuicao.com\/bk\/ame-seu-trabalho\/","title":{"rendered":"Ame seu trabalho"},"content":{"rendered":"<h3>Ame seu trabalho.<\/h3>\n<p>Por Stephan Bodian.<\/p>\n<p><strong>Embora consideremos nossa carreira muito importante, v\u00e1rios estudos mostram que os brasileiros est\u00e3o cada vez mais insatisfeitos com seus empregos.<\/strong> E a principal causa desse cen\u00e1rio \u00e9 a falta de reconhecimento em rela\u00e7\u00e3o ao desempenho exercido no ambiente de trabalho. Foi o que revelou estudo feito pelo instituto de pesquisa Market Analysis, em 2006, quando foram ouvidas 400 pessoas das cinco principais capitais do Pa\u00eds \u2013 S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre.<\/p>\n<p>Considerando a popularidade de livros como <strong>Valores humanos no trabalho, de Ken O\u2019Donnel <\/strong>(Ed. Gente), e <strong>Zen no trabalho<\/strong>, de Les Kaye (Ed. Cultrix), nossa cultura parece preocupada com a qualidade e o significado do trabalho nesses dias. <strong>Os trabalhadores confrontam uma combina\u00e7\u00e3o estressante de press\u00f5es e inseguran\u00e7a no emprego <\/strong>que mina a satisfa\u00e7\u00e3o e os faz refletirem se deveriam procurar algo que traga mais realiza\u00e7\u00e3o. <strong>N\u00e3o importam as circunst\u00e2ncias, voc\u00ea pode achar que seu trabalho n\u00e3o corresponde \u00e0s suas expectativas, muito menos aos seus sonhos.<\/strong> Talvez voc\u00ea n\u00e3o se comprometa com seus talentos criativos ou impulsos altru\u00edsticos, ou ache os colegas de trabalho agressivos ou hostis. Ou simplesmente n\u00e3o gosta do seu emprego, mas n\u00e3o sabe bem por qu\u00ea. Se voc\u00ea pratica Yoga ou medita\u00e7\u00e3o, talvez queira aplicar os princ\u00edpios que aprende no mat no seu ganha-p\u00e3o. O desejo pode conduzi-lo aos mais dif\u00edceis questionamentos: <strong>como ganhar dinheiro e se comprometer em um trabalho que gosta sem sacrificar sua paz de esp\u00edrito, sa\u00fade e valores espirituais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como contribuir com seus talentos e dons para o progresso do planeta sem prejudicar o meio ambiente ou as outras pessoas?<\/strong><\/p>\n<p>Se j\u00e1 refletiu sobre essas quest\u00f5es, est\u00e1 explorando o que \u00e9 conhecido como meio de vida correto. Embora o termo derive da tradi\u00e7\u00e3o budista, o meio de vida correto refere-se mais largamente a qualquer trabalho significativo e satisfat\u00f3rio que d\u00ea uma contribui\u00e7\u00e3o positiva ao mundo e expresse a inten\u00e7\u00e3o compassiva ou sagrada. Para algumas pessoas, o meio de vida correto assume a forma de uma carreira devotada \u00e0s mudan\u00e7as sociais, neg\u00f3cios sobre \u00e9tica e sustentabilidade ambiental. Para outras, \u00e9 um trabalho criativo e inovador que expressa suas aspira\u00e7\u00f5es mais profundas, paix\u00f5es e talentos. Para muitos de n\u00f3s, pode simplesmente envolver fazer algo que adicione \u00e0 loja coletiva do mundo um pouco de paz, amor, felicidade e bem-estar material.<br \/>\n<strong>O emPreGo Pode ser salvo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Simone Garcia<\/strong>, uma gerente de vendas de uma ind\u00fastria farmac\u00eautica, se confrontou com muitos questionamentos sobre o meio de vida correto. Ela adiou encontrar um companheiro e ter filhos at\u00e9 atingir o sucesso material que achou que merecia.<br \/>\nAgora, ela procurou ajuda em aconselhamento porque come\u00e7ou a se questionar sobre sua vida. Definitivamente ela gosta do que faz \u2013 o contato com os clientes, a rela\u00e7\u00e3o com o chefe, os colegas de trabalho, as viagens freq\u00fcentes, mas quando come\u00e7ou a praticar Yoga e adotou um estilo de vida mais saud\u00e1vel e espiritual, ela refletiu sobre o que a empresa estava fazendo, se era mais prejudicial do que bom. <strong>Seu envolvimento com terapias alternativas a levou a questionar os benef\u00edcios dos medicamentos que ela defendia e questionou o marketing agressivo para vender rem\u00e9dios a pessoas que n\u00e3o precisavam.<\/strong><\/p>\n<p>Simone estava com um dilema. Depois de quase uma d\u00e9cada que levou para construir a carreira, ficou em d\u00favida sobre os princ\u00edpios fundamentais e pr\u00e1ticas da ind\u00fastria onde trabalhava. Ela fez um balan\u00e7o da sua vida e se deu conta de que ser uma gerente de vendas deu a ela uma oportunidade limitada de expressar o seu lado mais criativo e espiritual. \u201cO que devo fazer agora?\u201d, perguntava a si mesma. \u201cPreciso deixar meu emprego e encontrar um estilo completamente diferente de carreira? Ou fico onde estou e fa\u00e7o um trabalho interno necess\u00e1rio para trazer uma atitude diferente para o trabalho que j\u00e1 fa\u00e7o e expressar minha criatividade em outra coisa?\u201d Se voc\u00ea acha o dilema de Simone familiar, n\u00e3o est\u00e1 sozinho. \u00c9 claro, as respostas que encontrar\u00e1 depende das circunst\u00e2ncias da sua vida. Nos \u00faltimos anos, tr\u00eas pontos de vista principais do que constitui um trabalho cheio de significado e sagrado ganhou popularidade.<\/p>\n<p>Primeiro, professores de budismo nos ensinam a n\u00e3o fazer o mal e, se poss\u00edvel, ser bom para os outros. Segundo, autores de livros best-sellers sobre crescimento pessoal determinam seu caminho intelectual para a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de \u201cencontre sua voca\u00e7\u00e3o\u201d ao encorajar \u201cfa\u00e7a o que ama\u201d e confie que o universo o apoiar\u00e1 nos seus esfor\u00e7os. E terceiro, h\u00e1 muitas tradi\u00e7\u00f5es religiosas que ensinam que voc\u00ea pode transformar qualquer atividade em dire\u00e7\u00e3o ao trabalho sagrado pelo poder da sua presen\u00e7a, devo\u00e7\u00e3o e inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para finalizar, Simone resolveu o dilema tirando um pouco de cada uma dessas diferentes, mas compat\u00edveis, abordagens. Depois de reconhecer que n\u00e3o poderia continuar trabalhando para uma ind\u00fastria farmac\u00eautica, ainda que estivesse relutante em abrir m\u00e3o dos confortos materiais, ela mudou de carreira como corretora de empr\u00e9stimos para im\u00f3veis em um bairro nobre. <strong>Apesar de o novo trabalho n\u00e3o estar de acordo como alguns dos princ\u00edpios espirituais de Simone, trouxe al\u00edvio para sua consci\u00eancia e permitiu que fizesse uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para a vida das pessoas.<\/strong><\/p>\n<p>Bel C\u00e9sar, psic\u00f3loga que trabalha sob a perspectiva do budismo tibetano e coordena o Espa\u00e7o Vida de Clara Luz, em S\u00e3o Paulo, explica: \u201cSe determinado trabalho estiver comprometendo meus valores e princ\u00edpios, devo buscar outro. Mesmo que essa mudan\u00e7a seja gradual j\u00e1 sabemos que condi\u00e7\u00f5es de grande press\u00e3o, estresse e ansiedade nos vulnerabilizam e nos tornam cada vez mais vazios internamente. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil reconhecer os sinais de que nossa sa\u00fade f\u00edsica, mental, emocional e espiritual est\u00e1 amea\u00e7ada, mas um bom sal\u00e1rio pode nos levar \u00e0 auto-ilus\u00e3o de que num futuro pr\u00f3ximo iremos viver de forma mais coerente\u201d.<\/p>\n<p>Como ensinaram Buda e seus seguidores, o conceito b\u00e1sico do meio de vida correto \u00e9 simples: n\u00e3o fa\u00e7a mal. Praticante por muitos anos de medita\u00e7\u00e3o, Claude Whitmyer, consultor de organiza\u00e7\u00f5es, complementa que o meio de vida correto deve tamb\u00e9m envolver outros sete aspectos do nobre caminho \u00f3ctuplo: fala correta, a\u00e7\u00e3o correta, esfor\u00e7o correto, aten\u00e7\u00e3o correta, concentra\u00e7\u00e3o correta, vis\u00e3o correta e inten\u00e7\u00e3o correta. Em outras palavras, o trabalho que pode verdadeiramente apoiar nosso desdobramento espiritual deve nos permitir seguir nossos princ\u00edpios b\u00e1sicos \u00e9ticos, como contar a verdade, n\u00e3o matar e n\u00e3o roubar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, esse trabalho deve ser desempenhado atentamente, com compaix\u00e3o e paz e admitir os ensinamentos fundamentais budistas de interdepend\u00eancia entre todos os seres. \u00c9 um desafio e tanto para a maioria de n\u00f3s, que j\u00e1 nos esfor\u00e7amos muito para pagar as contas. <strong>Ingrid Schrijnemaekers, consultora de Gest\u00e3o de Mudan\u00e7a na Souza Queiroz Academy e praticante de medita\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Brahma Kumaris, em S\u00e3o Paulo, escreveu um livro chamado A energia do sucesso com cinco atitudes fundamentais para a vida profissional que fazem parte de um ciclo \u2013 o da energia do sucesso.<\/strong> Estas cinco atitudes s\u00e3o: acreditar, ser bom, ter respeito, adequar-se e mudar. \u201cCito alguns casos de clientes que atendi em minhas sess\u00f5es de coaching. Percebi, ao longo desses \u00faltimos anos, que a maioria dos executivos que passa a n\u00e3o ter sucesso tem problema de arrog\u00e2ncia, ou seja, falta respeito.<\/p>\n<p>N\u00e3o respeitam os outros e n\u00e3o conseguem adequar-se a novas situa\u00e7\u00f5es. Se todos refletissem sobre o seu n\u00edvel de arrog\u00e2ncia e trabalhassem essa atitude, teriam mais sucesso. O segredo est\u00e1 em parar para ouvir sua voz interna, refletir ou meditar e revisar suas a\u00e7\u00f5es diariamente e adequar-se\u201d, explica. Essas orienta\u00e7\u00f5es fundamentais t\u00eam muito a oferecer aos ocidentais que buscam uma atitude mais consciente e espiritual em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho e \u00e0 carreira. Em particular, os ensinamentos budistas sobre interdepend\u00eancia de todos os seres, que implica que toda a\u00e7\u00e3o que fazemos traz consequ\u00eancias. Isso quer dizer que o meio de vida correto deve usar os recursos que tiramos do planeta adequadamente e considerar o impacto que temos na vida das outras pessoas e no meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>O que Buda faria?<\/strong><br \/>\nBaseada no budismo tibetano, Bel C\u00e9sar diz que \u201cvivemos numa rede de fen\u00f4menos interligados que est\u00e3o em constante movimenta\u00e7\u00e3o. Podemos ter boas inten\u00e7\u00f5es, mas se n\u00e3o soubermos olhar o outro e as condi\u00e7\u00f5es interdependentes, estaremos invariavelmente criando interfer\u00eancias em seus caminhos e no meio ambiente. O budismo nos ensina a reconhecer essa rede de interdepend\u00eancia e a substituir nossa vis\u00e3o egocentrada por uma vis\u00e3o mais ampla, seja de abertura mental, seja de empatia por todos os seres e pelo meio ambiente\u201d.<\/p>\n<p>Mas o meio de vida correto muitas vezes \u00e9 mais f\u00e1cil na teoria do que na pr\u00e1tica. O casal budista Patrick Clark e Linsi Deyo achou que tinha encontrado a solu\u00e7\u00e3o perfeita para o meio de vida correto quando abriram uma empresa que fazia almofadas para medita\u00e7\u00e3o. Mas o idealismo espiritual do casal e a avers\u00e3o \u00e0 competitividade do mercado inicialmente impediu que eles se comprometessem com os neg\u00f3cios para promover seus produtos com sucesso. \u201c\u00c9ramos ing\u00eanuos e idealistas. Nossa sobreviv\u00eancia dependia de ganhar novos clientes, mas n\u00e3o quer\u00edamos competir contra outras empresas\u201d, explica Clark.<\/p>\n<p><strong>Ao mesmo tempo, eles se depararam com escolhas dif\u00edceis que desafiaram o comprometimento com o meio ambiente. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cAlgod\u00e3o \u00e9 uma das colheitas que mais prejudicam o meio ambiente e usa muitos herbicidas e pesticidas. Tivemos de mudar nossa atitude e aprender a viver com a realidade econ\u00f4mica\u201d, diz Clark.<\/strong><\/p>\n<p>Como Clark e sua esposa rapidamente aprenderam, praticar o meio de vida correto no modo budista mais puro pode ser muito dif\u00edcil, at\u00e9 imposs\u00edvel, devido \u00e0 complexidade da pol\u00edame nos solicita a fazer coisas que comprometem nossos valores espirituais \u2013 por exemplo, usar recursos naturais n\u00e3o renov\u00e1veis ou n\u00e3o contar totalmente a verdade. Fazemos o melhor que podemos dentro das circunst\u00e2ncias\u201d, diz o consultor de empresas, autor do livro Mindffulness and meaningful work (sem tradu\u00e7\u00e3o no Brasil) Claude Whitmyer. A professora budista e ativista social Joanna Macy, co-autora do livro Nossa vida como Gaia (Ed. Global), concorda: \u201cO meio de vida correto \u00e9 mais complexo agora do que no tempo de Buda, porque nos encontramos em um sistema econ\u00f4mico e ecol\u00f3gico que n\u00e3o \u00e9 mais sustent\u00e1vel a longo prazo.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que participamos desses sistemas, inevitavelmente causamos algum mal por meio do nosso trabalho\u201d, diz. Isso n\u00e3o significa que precisamos renunciar aos nossos esfor\u00e7os, mas \u00e0s vezes necessitamos ajustar o idealismo e nossas pr\u00f3prias expectativas. \u201cNum mundo imperfeito como este, o mais pr\u00f3ximo que podemos fazer no meio de vida correto \u00e9 cultivar a inten\u00e7\u00e3o correta e fazer o melhor que podemos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Encontre sua voca\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEmbora palavras de efeito como interdepend\u00eancia e sustentabilidade solicitem nosso senso de responsabilidade \u00e9tica e social, elas n\u00e3o s\u00e3o a motiva\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria para cada pessoa que aspira ao meio de vida correto. A maioria de n\u00f3s est\u00e1 mais preocupada em encontrar um trabalho que acenda nossas paix\u00f5es, ilumine nossos cora\u00e7\u00f5es e deixe nossa vida fluir no dia-a-dia. Estamos procurando por uma carreira que d\u00ea express\u00e3o aos nossos interesses mais profundos, talentos e<br \/>\nsonhos que forne\u00e7am \u00e0 vida um prop\u00f3sito e significado.<\/p>\n<p>Embora concordemos com o princ\u00edpio budista de n\u00e3o fazer mal, talvez estejamos mais afinados com mantras como este de Joseph Campbell \u2013 \u201csiga a sua felicidade\u201d, ou de Carlos Casta\u00f1eda \u2013 \u201cescolha um caminho que signifique algo para voc\u00ea\u201d ou de Marsha Sinetar \u2013 \u201cfa\u00e7a o que ama e o dinheiro vir\u00e1\u201d. \u201cDizem que a prosperidade \u00e9 a consequ\u00eancia de uma vida com valores e de nossa espiritualidade. A quest\u00e3o \u00e9 que nem todos entendem que quando vivemos nossos valores, o universo providencia o que precisamos, talvez n\u00e3o tanto quanto gostar\u00edamos, mas com certeza o que precisamos\u201d, explica Ingrid Schrijnemaekers.<\/p>\n<p>A abordagem <strong>\u201cfa\u00e7a o que ama e o dinheiro vir\u00e1\u201d<\/strong> pode ser baseada na ignor\u00e2ncia. \u201cO trabalho que amamos e o dinheiro que ganhamos podem vir de recursos abomin\u00e1veis e ter consequ\u00eancias desastrosas. Voc\u00ea pode ser uma pessoa consciente a servi\u00e7o de um sistema sem consci\u00eancia. A n\u00e3o ser que esteja sintonizado com os resultados do que faz, n\u00e3o est\u00e1 praticando o meio de vida correto, n\u00e3o importa o quanto ame seu trabalho\u201d, diz Joanna Macy.Whitmyers concorda que o modelo de <strong>\u201csiga a sua felicidade\u201d<\/strong> requer cautela. \u201cFa\u00e7a o que ama e o dinheiro vir\u00e1, se voc\u00ea estiver fazendo a coisa certa\u201d, diz. \u201cMas o que precisa \u00e9 explorar \u2018amor\u2019 e \u2018certo\u2019 em profundidade para entender completamente o significado disso. Precisamos cultivar um n\u00edvel de consci\u00eancia que nos permita ser menos reativos e estar<br \/>\ncom pessoas que se encontrem no mesmo n\u00edvel de consci\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Deseje o que tem<\/strong><br \/>\n<strong>O terceiro princ\u00edpio prim\u00e1rio em ideias contempor\u00e2neas sobre o meio de vida correto \u00e9 fluir contra a corrente cultural do materialismo e do individualismo<\/strong>. No mundo ocidental, em que predomina um clima de alcan\u00e7ar o sucesso de modo obcecado, promovemos uma vis\u00e3o de que temos a capacidade e oportunidades, mas tamb\u00e9m a obriga\u00e7\u00e3o de se tornar aquilo que deseja muito. Esquecemos que temos um controle limitado nas trajet\u00f3rias das nossas carreiras devido aos problemas de dinheiro, recursos, energia, sa\u00fade, apoio familiar e status social. Fomos ensinados a acreditar que devemos ser mestres dos nossos destinos e somos encorajados a nos sentir culpados, exaustos, inadequados e insatisfeitos se n\u00e3o conseguimos alcan\u00e7ar nossas expectativas mais ambiciosas.<\/p>\n<p>Por outro lado, a cultura indiana \u2013 que foi a origem da sabedoria dos ensinamentos budistas e do Yoga \u2013 abarcou a ideia de que cada pessoa \u00e9 destinada a cumprir um papel particular, ou dharma, na vida. Dessa perspectiva, nosso emprego n\u00e3o aumentar\u00e1 nosso potencial. Temos de criar um meio de vida correto fora do trabalho \u2013 dedicando-nos a isso atentamente e de cora\u00e7\u00e3o, por amor a Deus e pelo bem da humanidade. Como Buda ensinou, o segredo da felicidade \u00e9 querer aquilo que j\u00e1 temos em vez de querer aquilo que n\u00e3o temos. Com isso em mente, qualquer abordagem do dharma para o meio de vida correto nos ajudar\u00e1 a encontrar paz e realiza\u00e7\u00e3o em qualquer situa\u00e7\u00e3o de trabalho que confrontemos.<\/p>\n<p>Talvez a express\u00e3o mais nobre da abordagem tradicional do meio de vida correto venha do Bhagavad Gita, uma das escrituras seminais do hindu\u00edsmo e a b\u00edblia para a pr\u00e1tica de Karma Yoga (Yoga da a\u00e7\u00e3o abnegada) e Bhakti Yoga (Yoga da devo\u00e7\u00e3o). No Gita, o senhor Krishna, um avatar do deus Vishnu, explica a vis\u00e3o de que somente a a\u00e7\u00e3o desempenhada para adorar o divino, sem apego aos resultados, nos traz satisfa\u00e7\u00e3o duradoura. Respondendo a Arjuna, um pr\u00edncipe guerreiro que agoniza se deve ou n\u00e3o realizar sua obriga\u00e7\u00e3o, mesmo que isso signifique matar seus parentes, Krishna ensina que \u201caqueles que desempenham sua obriga\u00e7\u00e3o sem preocupa\u00e7\u00e3o com os resultados s\u00e3o verdadeiros yogis \u2013 n\u00e3o aqueles que se abst\u00eam delas. A a\u00e7\u00e3o correta requer que voc\u00ea renuncie ao seu pr\u00f3prio ego\u00edsmo e aja sem apego aos objetivos ou a\u00e7\u00f5es\u201d. \u00c9 claro, a maioria de n\u00f3s, nos dias atuais, tem muito mais mobilidade social e escolhas que os homens e mulheres da \u00cdndia antiga \u2013 e assim temos mais liberdade para considerar as preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e paix\u00f5es pessoais que procuramos no meio de vida correto. Mas todos n\u00f3s podemos nos beneficiar do conselho de Krishna na abordagem do trabalho. O caminho da a\u00e7\u00e3o abnegada que Krishna recomenda pode transformar qualquer atividade em uma pr\u00e1tica espiritual; serve como projeto para uma abordagem y\u00f3guica verdadeira em dire\u00e7\u00e3o ao meio de vida correto. Em uma an\u00e1lise final, o que faz o nosso meio de vida correto n\u00e3o \u00e9 a natureza do trabalho ou as conseq\u00fc\u00eancias das nossas a\u00e7\u00f5es \u2013 embora esses fatos certamente tenham alguma import\u00e2ncia \u2013, mas o que conta s\u00e3o as qualidades do cora\u00e7\u00e3o e da mente que trazemos.<\/p>\n<p>Quando estamos imersos com prazer no nosso of\u00edcio \u2013 deixando fluir o momento, buscando fazer um servi\u00e7o sem apego ao resultado \u2013, a separa\u00e7\u00e3o entre interno e externo, eu e o outro, trabalho e lazer se dissolve. Mesmo o trabalho mais dif\u00edcil e chato pode ser sagrado.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\nMat\u00e9ria publicada na revista Prana Yoga Journal, edi\u00e7\u00e3o 26, de mar\u00e7o de 2009.<br \/>\nPor Stephan Bodian, ex-editor-chefe da Yoga Journal<br \/>\ne professor de zen, psicoterapeuta, consultor espiritual<br \/>\ne autor de v\u00e1rios livros de medita\u00e7\u00e3o e budismo.<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o e fontes Brasil: Patr\u00edcia Ribeiro, colaboraram Cacau Peres e Aline Gama.<br \/>\nSite www.eyoga.com.br<br \/>\nImagens: disponibilizadas por Pixabay<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ame seu trabalho. Por Stephan Bodian. 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