O poder do conhecimento e a meditação.

O poder do conhecimento e a meditação.


Da escuridão para a luz, dos conflitos para a harmonia, da ilusão para a realidade, do falso para o real, dentre todas estas transposições o que existiria de comum a elas?

Talvez uma palavra possa sintetizar tudo: a verdade.
O que é a verdade? Como distinguir o que é verdadeiro do que é falso?

Através de minha relação com o ensinamento da meditação Raja Yoga a percepção que emerge naturalmente é que a verdade é auto-suficiente.

A maior prova da verdade é a não necessidade de provar-se.

A verdade existe por si só, a verdade não tem segundas intenções.
A verdade, assim como o conhecimento está além do tempo. Entender o passado no presente e no presente criar o futuro é natural e isso é um caminho para ser sábio.

Um aspecto da relação conhecimento-sabedoria interessante é que a sabedoria vem do conhecimento dos três aspectos do tempo, ou seja, do passado, presente e futuro. O conhecimento que nos possibilita perceber o ilimitado, ou seja, a ir além dos limites aparentes do tempo está fundamentado no autoconhecimento e este auxilia em muito na aquisição de sabedoria. E quando esta se manifesta, há a sensação de que passado, presente e futuro se fundem - não havendo mais separação e nem interesse em distinguir o que é o que naquele instante.
Conhecer-se é ir além das imagens que limitam e distorcem o verdadeiro significado de sua interação com o plano material em cada cena.

Ver além da cortina de “prejuízos” que pode se apresentar à nossa frente significa ver o benefício que se esconde atrás de situações aparentemente negativas que se interpõem entre a teoria e a prática natural do conhecimento.
A ponte que nos capacita fazer esta travessia é a espiritualidade, ou seja, é o conhecimento espiritual - quando praticado, que nos possibilita a abertura do terceiro olho.
Abrir o terceiro olho significa abrir a cortina à nossa frente e enxergar o horizonte ao longe, de forma clara e cristalina, sem ser iludido por roupagens ou cenários transitórios.
Significa ver o “ser”, além da roupagem branca, amarela ou preta, que veste o “humano”. Isto gera o sentimento de irmandade, de família. Para tanto, é necessário o treino do intelecto, pois é o intelecto que distingue o ilimitado do limitado.

Pode parecer paradoxal, mas ver o corpo é limitar-se a um papel no momento presente, ver o ser eterno significa ir além das aparências do momento; como que adentrando portais que uma experiência profunda capacita, possibilitando a eternização de uma experiência , em termos de consciência e percepção.

Usar o intelecto de maneira correta significa ir além da arrogância, significa absorver a humildade gerada pela consciência de ser aquele que está sempre aprendendo. Isto significa absorver a autoridade daquele que está se tornando “expert” através de sua aprendizagem.
Talvez o maior filósofo da história, Sócrates, no patamar de toda sua sabedoria, disse: "Só sei que nada sei". Será que Sócrates chegou à conclusão de que a sabedoria transpassa os limites e não conseguimos percebê-la na sua totalidade, por acaso? Com certeza ele sabia o que estava dizendo e estava dando um recado para todas as gerações futuras - amem o conhecimento, respeitem-no e continuem a jornada do saber, mas sem a arrogância que distorce a beleza, a justiça e o bem que são propriedades naturais do saber.
A arrogância do intelecto impede a aplicação do conhecimento de maneira natural, e aquilo que não é natural não é verdadeiro, pois não se sustenta por si só, mas depende de outros fatores. Além disto, a arrogância do intelecto gera uma atitude mental de insulto e de desrespeito por si ou pelos outros, impedindo-o de aprender.
O conhecimento é força, é energia, que se aplicada corretamente, torna-se poder.

Quando nos aprofundamos na prática do conhecimento e, isso no meu caso, ocorreu inicialmente com a prática de meditação do Raja Yoga, uma gama de experiências trazem frutos que nos apresentam sutilezas bastante atraentes através de diferentes métodos, tais como a absorção de poderes através da meditação ou da absorção de virtudes através da corporificação do conhecimento na prática, ou do desenvolvimento dos relacionamentos num nível que vai além dos papéis que cada um representa.

O conhecimento que transpõe os limites que estamos acostumados a aceitar - do tempo, do espaço, do físico, etc. é algo que nos leva além do simples entendimento, nos dá percepção, nos dá consciência. Isto significa entender, absorver e ser.

De acordo com sua consciência são seus pensamentos, de acordo com seus pensamentos são suas palavras, e assim serão suas ações. Conforme é sua consciência será sua visão. E o que é o mundo em que vivemos, senão o resultado de nossa visão?

Seria possível mudar o mundo?
Com sabedoria sim. Sem dúvidas o conhecimento gera entusiasmo, novidade, ânimo, mas o espírito do conhecimento parece se revelar por completo só se houver amor e respeito por ele; então ele será um instrumento da sabedoria e, por conseguinte, de transformação, de fato.
Para começar, há um universo de coisas boas que se manifestam no planeta neste exato momento, quanto ao resto que não é bom...sim, é possível mudar; para começar: percebendo o que há de bom por aí.
O autoconhecimento nos auxilia a preparar a mente para perceber estas coisas boas e nos capacita a alimentar nosso intelecto com o alimento adequado, filtrando o inútil, o negativo, o desnecessário.

Conforme pensamos e conforme é nosso coração e nossa atitude mental, será a seleção do que escolhemos trazer para nossas vidas. É um processo natural, que nos habilita a perceber e acolher o que trazemos para dentro de nossas vidas. Quando acolhemos as coisas boas em nosso coração - e, de novo, há um universo de coisas boas por aí; é que sentimos prazer no viver.
Ter o intelecto repleto de conhecimento não significa conhecer os detalhes da leitura dos muitos livros ou escrituras que lemos ou estudamos; um intelecto sábio pode se manifestar como tal ao simplesmente saber acolher o que é bom - e isso não tem a ver com manter dentro de você um sem número de informações estudadas, pesquisadas ou o quer que seja, pois mesmo com tudo isso seu intelecto pode funcionar como uma chapa quente em que uma gota - por mais líquida e pura, ao cair na chapa evapora em um segundo.
Por quê?
Porque seu intelecto não foi preparado para acolher.
Ele pode ter sido treinado para analisar, sintetizar, deduzir, discernir e um sem número de funcionalidades lógicas - e isso é um fator de admiração para muitos, mas ele pode não ter sido preparado para a mais vital delas: acolher o que é bom, o que é belo e o que é justo.

Um ator interagindo com outros em uma peça pode saber cada frase que ele deve falar na peça, mas imaginem se ele falasse tudo o que deveria falar, só que com dois minutos de atraso. Ou seria engraçado ou trágico.
Imagine um violinista, um virtuose, que, por alguma razão - em meio a uma orquestra com dezenas de instrumentistas, resolvesse seguir um ritmo diferente do da orquestra - fazendo sua parte de modo perfeito, só que vinte segundos atrás do ritmo de todos os outros - de que serviria a perfeição ou virtuosismo dele?.
De algum modo, o erudito, que trabalha com o conhecimento num nível que está longe da sabedoria, por mais ilusão de domínio do assunto possa haver, acaba por expressar-se sem saber o momento e a maneira correta; por isso apesar do aparente domínio do assunto, ele acaba por não ajudar e nem inspirar outros.
De algum modo, a mensagem que captei através da prática da meditação Raja Yoga é que o conhecimento é para ser amado, respeitado e então usado, caso contrário ele será inútil.
Meditando, percebi que o conhecimento tem uma ligação muito estreita com o yoga. O conhecimento quando aplicado integralmente torna-se yoga e o yoga torna-se conhecimento vivo quando se consegue experimentar três estágios no dia a dia: em inglês:" Viceless, Egoless and Bodiless stages".
Ou seja, o estágio de ser sem vícios, ser sem ego e o estágio onde há a ação com o corpo físico, mas há a consciência de ser incorpóreo.

O conhecimento genuíno nos dá a experiência de sermos preenchidos de amor nas ações, poderosos na mente e sábios nas palavras.
Quer ver transformação?
Se alguém está triste, dê conhecimento a ele; quando ele estiver feliz, traga-o ao silêncio e ele experimentará bem-aventurança.
Com quem experimentar?
Que tal consigo mesma(o).

Na jornada espiritual a velocidade não pode ser confundida com pressa e é muito importante, mas a base para aumentá-la é o estudo. Ter amor pelo estudo é ter amor por si e pelo mundo, com esta consciência, o conhecimento o levará à verdadeira liberdade.

Autor: Herbert Santos Silva
Fonte: http://intuicao.com

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