Não terceirizar culpas

Não terceirizar culpas é um ato de sabedoria.

Conforme ensinado por várias tradições religiosas e exemplos de espiritualistas, os mais respeitados; é só checar o que Buda ensinava; ou o que cada ensinamento que Jesus Cristo nos deu; ou o que o Bhagavad-Gita, que contém a essência do Conhecimento Védico, ensina; ou o que Ghandi exemplificou com a suas ações; independentemente da esfera social ou espiritual, em que se encontravam as sociedades, durante a vinda desses enviados iluminados, para ver que o ato de apontar culpados ou erros dos outros, nunca foi o meio mostrado como sendo o que que leva a transformações pessoais, menos ainda, a transformações morais íntimas ou ao desenvolvimento moral do espírito.

Talvez, uma das razões que o aspecto de apontar erros de terceiros não tenha sido usado por aqueles que procuravam inspirar o bem e as transformações interiores nos seres humanos, tenha sido a de não alimentar o hábito de queixar-se nas pessoas, hábito fácil de ser criado e que se propaga ainda mais facilmente.

O hábito de sustentar queixumes, de alguma forma, é uma armadilha para a consciência, ocupando a mente com uma 'aparente' atenção na direção de algo que não está correto, mas que não induz a nenhuma ação pessoal interior.

A energia envolvida em fofocas não difere muito da envolvida no hábito de queixar-se, seja do tempo, dos outros, de situações ou o que seja. O fato é que atitudes que carecem de consciência, amplificam a sensação de angústia e impotência, levando as pessoas a avolumarem as suas dores e a enfraquecerem suas capacidades de discernir.

Não terceirizar culpas também era um dos princípios do estoicismo, escola filosófica que tem muito a ensinar nos dias de hoje, em que o hábito de se apontar dedos culpando outros, tornou-se algo normal em nossa sociedade.

Essa escola filosófica - estoicismo, era uma escola moral, com uma filosofia clara e prática, em que a serenidade era a base. Para os filósofos dessa escola, nada era tão importante a ponto de fazê-los perder a serenidade. Para eles, era claro que, por maior que fosse o problema, a solução viria mais naturalmente se a serenidade interior fosse mantida.

Aos que querem refletir sobre o tema, sob a ótica do estoicismo, sugiro a leitura de filósofos como Epicteto (vale a pena ler 'A Arte de Viver' que foca os ensinamentos de Epicteto) e Marco Aurélio (Meditações e O Guia do Imperador), que compuseram o grupo filosófico que foi denominado "novos estóicos".

Fortalecer ou enfraquecer a consciência é uma escolha pessoal, que tem a ver com o que a pessoa escolhe para ela própria - seja a angústia e aflições que resultam ao manter sua consciência num nível inferior, alimentando hábitos que não fazem bem ao espírito; ou então, fortalecer a parte sagrada que habita cada ser, o que, sob nossa modesta capacidade de visualizar o futuro, envolve ao menos duas dimensões: a dimensão do conhecimento e a da prática pessoal da espiritualidade.

As dimensões do conhecimento e da prática da espiritualidade se fundem e promovem a elevação do nível de consciência mas, para haver essa fusão, há a necessidade de um espaço-tempo sagrado dentro de cada ser, em que algum tempo pessoal seja dedicado à reflexão do conhecimento e algum espaço da vida da pessoa seja dedicado à experimentação de momentos de introspecção - quando as sementes do conhecimento se transformam e, no silêncio de palavras, manifestam-se em luminosidade interior.

São nesses momentos que a pessoa pode se conectar com energias sublimes e superiores. Isso fortalece o espírito e se reflete no fortalecimento da consciência, que é quem sustenta nossas atitudes, ações, reações, pensamentos, sentimentos e também as emoções.

texto: herbert santos silva
site: intuicao.com

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