Falsos conceitos gerando falsos valores


Tendo como base a razão, estamos habituados a acatar conceitos e a partir do entendimento dos mesmos os aplicarmos em nossa realidades, de uma maneira ou outra.

Este é um fato corriqueiro nas vidas das pessoas. Recebemos novos “inputs” de informações a cada segundo. Como há o hábito de se racionalizar, estas informações são “processadas” por nossos intelectos da maneira como estamos treinados a fazê-lo, racionalmente. A partir daí estabelecemos referências, objetivos e estratégias que, de algum modo, buscam implementar aquelas informações processadas por nós.

Normalmente, muitos conceitos são aceitos sem a percepção ou clareza de contextos que os envolvem.
A avaliação dos conceitos nem sempre segue um padrão mais amplo ou universalista. Geralmente há a tendência de se limitar e trabalhar com os conceitos dentro de realidades às quais estamos habituados. .
Isto ocasiona um erro que pode ser fatal: muitas vezes baseamos nosso entendimento em conceitos “restritos e limitados”, que por serem atraentes naquele momento, ou pelo fato de ser tão comum sua aceitação pela maioria, não os questionamos e não procuramos ver com um foco mais amplo ou buscando um horizonte mais abrangente.

O hábito de levar em consideração conceitos como instrumentos ou referências para nossas decisões e escolhas leva a pessoa a gerar valores baseados naqueles conceitos.
Muitas vezes, valores falsos e sem consistência passam a dirigir as decisões e escolhas que fazemos.
Incorporam-se falsos valores que alimentam atitudes, pensamentos, sentimentos e emoções. A partir deste ponto, os sonhos, metas, estratégias e dedicação são alimentados por estes valores.

Quando estes conceitos, falsos ou baseados em realidades momentâneas e totalmente fora de um contexto mais integral, geram valores, que acabam aceitos pela sociedade, eles ganham força e, com o tempo, ganham o status de paradigmas. A partir de certo momento, não são mais questionados e, pior, quem toma atitudes fora daqueles preceitos é considerado um “estranho” e poucas vezes é apreciado.

A partir daí uma série de ocorrências pode ganhar corpo:

- esforços imensos podem ser despendidos na busca de algum objetivo, que, na verdade, com uma visão mais ampla, não significaria nada para a pessoa;
- questionamentos de capacidade podem existir, simplesmente por certas referências serem consideradas fundamentais, quando na verdade não o deveriam ser, pois num horizonte temporal um pouco mais longo mostrariam que aquelas referências eram distorcidas e induziriam a avaliações equivocadas;
- preocupação indevida pode se apresentar, pelo hábito de preocupar-se ou por confundir responsabilidade com preocupação; muitas vezes essas preocupações surgem de "ouvir outros falarem", o que na maioria das vezes é inconsistente e sem fundamentação alguma;
- sentimentos de despreparo, de aborrecimento, de decepção, de humilhação podem surgir, simplesmente pelo fato de estarmos levando em consideração conceitos, que, em verdade, não são absolutos ou definitivos.

Esses são apenas alguns exemplo; o fato é que falsos valores podem surgir desde um bullying nos bancos escolares, que prejudica e distorce personalidades - tanto para quem o comete, quanto quem sofre a ação do mesmo, até uma avaliação baseada unicamente na busca de resultados financeiros na vida profissional de qualquer adulto.

Isso tudo pode ocasionar prejuízos imensos para todos os envolvidos no processo. Pode levar uma pessoa a seguir um caminho que nada tem a ver com sua natureza, ou levar uma organização a atuar de maneira diversa daquela que sua 'razão de existir' orientaria.

A lista é enorme, mas, visitemos alguns exemplos de conceitos, que, de algum modo, geram valores e estabelecem paradigmas em nossa sociedade:

Dinheiro traz felicidade.
Nada que a terapia da 'compra' não resolva.
Para ser aceito, deve-se ter poder.
Para ganhar dinheiro, deve-se ser formado e ter curso superior.

De alguma maneira, devemos dar atenção especial para com os conceitos que consideramos tão normais que nunca consideramos pensar em questioná-los ou imaginar que exista “vida” em outras possibilidades ou conceitos. Entender os contextos de quem apregoa certos conceitos e pratica certas atitudes nos ajuda a não sermos tão afetados por coisas que em verdade não teriam a importância que é dada a elas.

Seja o hábito de 'consumir' e 'substituir' bens - que provoca hábitos consumistas e cria necessidades que vão muito além das que seriam as reais necessidades. Seja uma linha de noticiário televisivo, ou então, brincadeiras e piadas ofensivas, sejam elas direcionadas a governantes ou a coleguinhas de escola.

Ampliar nossa capacidade de ver e entender, percebendo e entendendo o universo em que vivemos, e não nos deixar influenciar pelas 'ondas' predominantes se faz necessário, por mais que seguir as "ondas" seja o caminho mais 'fácil de ser considerado 'legal' e 'aceito' pelos outros.

A busca por um mundo melhor e mais harmonioso exige de nós escolhas e estas passam pelos conceitos que alimentamos nossas almas e que se traduzem no que é valorizado por nós, ou seja, pelos valores que estabelecemos como referências em nossas vidas.

autor: Herbert Santos Silva
site: http://intuicao.com
imagem: Pixabay

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