A Jornada da Sabedoria

A Jornada da Sabedoria.



O conhecimento genuíno satisfaz. Ele existe para ser apreciado e utilizado.

A satisfação gera o sentimento de preenchimento e quando há preenchimento, não há muito barulho. Imagine um barril metálico vazio – qualquer batida emite um som estridente, agora imagine o mesmo barril preenchido com água – a mesma batida produzirá um som mais profundo e pouco barulho. Quem do conhecimento se alimenta, tende a hospedá-lo de maneira a apreciá-lo e a valorizá-lo. O sábio nunca irá fazer muito “barulho”.

A “doação” ou transferência do conhecimento deve ser natural e sutil, na ação.
A natureza do conhecimento nos inspira a afirmar que ele existe para ser transferido e não mantido escondido dentro de cada um. Quando não o transferimos – seja às nossas atitudes ou nas nossas inter-relações, ele aos poucos se esvai e sua ausência nos enfraquece. Quando só falamos, mas não praticamos, ao invés de ganharmos energia, nós nos desgastamos.

O conhecimento é força, em essência.

Quando há sua prática, começa a haver aquisição de sabedoria e então a força do conhecimento começa a transformar-se em poder. O poder da sabedoria é bastante subjetivo, mas reflete-se, num nível perceptível, através do equilíbrio – nos valores, nas virtudes e nas ações.

O conhecimento genuíno está além dos nossos interesses momentâneos.
Mesmo que tenhamos a tendência de tentar moldá-lo às nossas realidades, em verdade, o que podemos fazer é traduzi-lo à nossa linguagem, para que possamos, primeiramente, entendê-lo e, num segundo passo, trazê-lo ao nosso dia-a-dia.

Através do conhecimento podemos visualizar soluções com o foco adequado, sem super dimensionar os problemas, aumentando a capacidade de superar situações que – sem a presença do conhecimento, podem parecer insuperáveis.
Com a maturação do conhecimento em nossas vidas podemos - com flexibilidade, paz interior e visão de longo alcance, lidar com as diversas realidades que se apresentam ao nosso redor sem abrir mão de nossos objetivos e princípios.

Saber apreciar é uma coisa, outra é idolatrar.

Uma armadilha que pode ser fatal é “mitificar” o saber. Assim agindo, de imediato, estaremos levantando barreiras que podem tornar-se intransponíveis.
A visão apreciativa gera proximidade, enquanto a idolatria cria barreiras.
A escolha entre apreciar ou idolatrar pode direcionar a amar o conhecimento ou a temê-lo.

A sabedoria tem muito a ver com valores e virtudes. Os valores definem os parâmetros como cada um vive e as virtudes emolduram suas atitudes, sentimentos e pensamentos.
Na medida em que valorizamos algo, começamos dar importância àquilo e a criar referências baseadas naquilo.

O equilíbrio dos valores e das virtudes expressa a sabedoria e aniquila as chances de extremos como rigidez exagerada ou arrogância assumirem o comando das ações.
Equilíbrios como ser jovial e ter maturidade, ser disciplinado e ter flexibilidade, amar e ser desapegado, saber quando estar na frente ou na retaguarda são alguns frutos que a sabedoria propicia.

Enquanto a sabedoria nos leva a nos sentirmos aprendizes, a arrogância nos arremete à areia movediça de nos sentirmos “donos da verdade”. Enquanto a arrogância do intelecto nos conduz a complicar o que é simples, a sabedoria nos conduz à arte de simplificar o que é complicado.

Em essência, ter visão apreciativa nos abre as portas para aprender enquanto amar o conhecimento leva ao caminho da sabedoria.

Autor: Herbert Santos Silva
site http://intuicao.com
Foto: disponibilizada por clix

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