Ego, o inimigo da harmonia

O ego é um grande inimigo da harmonia.

Podemos dizer que o egoísmo é a prática que substitui Deus como referência em nossas vidas e passa a considerar o 'eu' como o centro de tudo.

O egoísmo pode ser entendido como a religião do eu. Com o tempo, a prática do egoísmo prevalece e parece natural.

O que se dá é o consequente afastamento de Deus e da essência de suas leis naturais, em que ocorre o distanciamento do verdadeiro amor e do verdadeiro bem, da humildade e da paz interior, do servir e da caridade, da fraternidade e da verdadeira liberdade.

Com referências distorcidas e equivocadas, a pessoa provoca seu próprio afastamento de tesouros que lhe seriam de natural acesso e passa a viver em função de riquezas materiais e reconhecimentos ilusórios, de interesses e imagens que enfraquecem o caráter. Essa substituição equivocada conduz ao hábito de prazeres que corroem, pouco a pouco, sua integridade e grandiosidade. Sem perceber a pessoa afasta-se de Deus e, mais ainda, dela própria.

Com a ausência de referências claras e simples, mas sempre genuínas e preenchedores, que são as dadas por Deus; ao mesmo tempo, profundamente sábias e inconfundíveis. Com a ausência destas, emergem o orgulho e vaidade, o baixo estado vibratório e a agressividade, a falta de clareza e de interesse no auto-melhoramento interior que provocam os altos e baixos no dia a dia de muitas pessoas e que diminuem as capacidades de raciocinar corretamente e entender a vida sob um prisma mais humano e mais espiritual - em que a sensibilidade e o respeito, a generosidade e a as vibrações harmoniosas estivessem presentes. A insensibilidade e a intolerância, o desânimo e a mentira tem tudo para prosperar em tais ambientes. A partir daí, as sintonias que se estabelecem acontecem num plano de energias inferiores ao que a pessoa requer para a manifestação da luz e para o cumprimento da verdadeira missão que a pessoa tem neste planeta, enquanto seres espirituais que somos. Obviamente, a pessoa nunca se sentirá satisfeita e plena, por mais bens que possua ou por mais ilusões que tente usar para suprir o que 'pensa' precisar.

Observa-se que quando prevalecem as leis do 'eu' estas se confundem com as leis da materialismo e há a falsa identificação do 'ser' com títulos e papéis, com posses, glórias e conquistas materiais, quando essas passam a ser consideradas referências nas vidas das pessoas. E, a partir dessas posses, títulos, etc., a pessoa passa a avaliar se sua vida está sendo bem vivida ou não. Pode-se dizer que, quanto maior o nível de egoísmo, menos a pessoa incorpora nesta avaliação seus reais sentimentos e suas atitudes em relação às outras pessoas e à natureza, sua relação com Deus e com as pessoas necessitadas.

Impacto nos lares e nas famílias

Um efeito imediato disso é o impacto desse pobre entendimento nas famílias e nos lares - impacto baseado em referências limitadas e ilusórias, que influenciam na base da educação moderna - de famílias em que não há a presença de Deus, nem da espiritualidade. A partir desse contexto as referências que se estabelecem enfraquecem toda a sociedade e, em meio à ausência de valores genuínos e da aprendizagem das virtudes divinas o que vemos é o fortalecimento do egoísmo, num processo de autofagia, que reflete o ato de a própria pessoa autodevorar-se, com a prática de hábitos consumistas e cada vez mais voltadas ao auto-enfraquecimento em termos de valores, virtudes e princípios.

Decorrentes de uma educação familiar despojada de espiritualidade, o que podemos observar é que, como filhos do ego, nascem o sentimento de separatismo - no qual as pessoas se sentem desconectadas umas das outras e o sentimento de orgulho da conquistas materiais ou de posições sociais, da opulência ou da ostentação; atitudes que conduzem ao raciocínio de considerar aqueles que estão vivendo no nível de pobreza ou abaixo, como os 'culpados' pelos problemas do mundo.

Aqui cabe uma percepção, que penso valer na maior parte dos casos. Seja qual for a linha espiritual ou religião, em geral, a essência de seus ensinamentos - quando praticados, levam a ações de caridade e de servir, de amar o próximo e de fazer o bem.

Habituados ao ego e ao enfraquecimento interior, muitos dos que vivem na superficialidade dos ensinamentos espirituais - assumem suas escolhas - que denominam religiosas ou espirituais, mas que em verdade se distanciam, e muito, da essência propagada por elas, passam a fortalecer o ato da não aceitação das diferenças entre as inúmeras crenças, doutrinas e filosofias que habitam nosso planeta. Passando a considerar a 'sua' como a única certa e digna. Este é mais um reflexo do egoísmo em nossa sociedade. Algo que pessoas como o Papa Francisco ou o Dalai Lama, só para ficar em nomes mais conhecidos do ocidente, mostram que não tem nada a ver. Sendo eles próprios exemplos de humildade e sabedoria e defensores da necessidade de tolerância e aceitação das escolhas que são feitas pelas pessoas.

O fato é que, havendo espiritualidade na ação, pode-se sempre agregar e inspirar valores que podem auxiliar a revigorar a saúde espiritual do planeta, que está muitíssimo fragilizada, a despeito do número incontável de religiões. Não podendo-se esquecer de que a educação começa e, sempre, se fortalece no lar.

Trecho de autoria de Herbert Santos Silva
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Foto: disponibilizada pelo banco de imagens Pixabay

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