A energia renovável da alma

A energia renovável da alma

Por Luciana Ferraz.


Energia é definida como a propriedade de um sistema que lhe permite realizar trabalho.
Há várias formas de energia (calorífica, elétrica, eletromagnética, mecânica, cinética, potencial, química, radiante), todas transformáveis umas nas outras e cada uma capaz de provocar fenômenos bem determinados e característicos nos sistemas físicos. Em todas as transformações de energia, há completa conservação dela.

A energia não pode ser criada e nem destruída, apenas transformada. O mesmo acontece com a energia metafísica da alma.
Ao longo da história humana, presenciamos uma transformação da energia da virtude em vício. A base da virtude é o conhecimento espiritual e a base do vício a ignorância.Como passamos de um estado de conhecimento aplicado e vivenciado, de autopreenchimento para este esvaziamento de força e poder espiritual?

Não há perda ou destruição de energia, apenas sua transformação. Sentimentos sublimes tornam-se emoções grosseiras, poucos pensamentos voltados à ação prática aumentam em turbilhões de pensamentos que pré-ocupam ou pós-ocupam nossas mentes, sem conexão com o que está acontecendo no momento real.

A sabedoria – caracterizada pelo equilíbrio, sensatez e estabilidade – se deteriora e a consequência é uma visão dualista da existência e concepção de mundo que dá origem às convicções, crenças e opiniões diversas.

Determinação é confundida com teimosia, firmeza com rigidez, amor com apego, paz com passividade, autorrespeito com arrogância, coragem com intrepidez, flexibilidade com desorganização, independência com individualismo, ser econômico com ser mesquinho, ser doador com ser desperdiçador.

No momento que a consciência da natureza espiritual do ser passa a alimentar-se dos estímulos externos para a sua expressão, processo este que chamamos de extroversão, oriundo da consciência de ser o corpo (a alma pensa que é matéria), ela perde sua pureza e poder intrínsecos .

Para restaurar seu estado original precisa contar com três métodos:
- Motivar-se à autotransformação, pois sem vontade de melhoria, o processo de mudança não acontece. Obstáculos, crises, doenças, dificuldades, acidentes e insatisfação podem ser elementos úteis para a percepção da necessidade de fazer algo diferente.
- A prática da meditação, que implica em envolver uma energia externa, no caso, a Divina, para promover alteração no processo interno de funcionamento da alma.
- Coragem para mudança de estilo de vida: inclusão de novos hábitos, rotina e práticas saudáveis.

Não é possível reverter o processo contínuo de involução do ser. Assim, a renovação do ser significa a evolução espiritual a partir do despertar da consciência, movimento este que não acontece de forma automática, mas que precisa da intervenção de cada um de nós em nossa própria vida, através dos três métodos propostos.

Om Shanti
(saudações de paz)
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Luciana M. S. Ferraz é socióloga e professora de Raja Yoga da Organização Brahma Kumaris.

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