Qualidade-locomotiva – para refletir

As idéias sobre a qualidade-locomotiva continuavam sua jornada pelo coração e pela mente de Ferhelin*. Ela sentia-se em sintonia com a Garota Montanhesa** e com a natureza.

— Apenas lembre-se das qualidades, pense nelas e procure senti-las. Não escolha uma qualidade apenas por escolher, nem há a necessidade de estudá-las intensamente. Apenas tenha uma idéia delas e procure senti-las em silêncio e em harmonia antes de escolher uma.

Procure traduzir a qualidade em cores, imagem ou sons, caso fique mais fácil para você — disse a Garota Montanhesa, permanecendo em silêncio após falar.

Qualidades? — pensou Ferhelin, quase que sussurrando.

A Garota Montanhesa estava feliz em ajudar Ferhelin e, assim, alegre e inocente, continuou:
— É, qualidades “mães”, como a paz, a felicidade, o amor, a pureza, e qualidades “filhas” como paciência, coragem, entusiasmo, doçura e várias outras.
Não se preocupe em intelectualizar a qualidade. Procure senti-la e perceber seu toque. Pode ser essa a sua qualidade-locomotiva.

Ferhelin permaneceu pensativa. Ficou silenciosa por longos instantes, sentada naquela velha ponte de ferro, ouvindo o som da água descendo rio abaixo, sentindo a brisa do ar refrescando sua face.

A Garota Montanhesa permanecia com vivacidade nos olhos, parecendo brincar com o ar, feliz por encontrar aquela nova amiga.
Após algum tempo, Ferhelin começou a focar algumas qualidades:
Primeiro, lembrou-se do amor. Procurando pensar neste sentimento, sentiu-se envolver por uma energia que a preencheu inteiramente e que parecia irromper dela para fora, como se viesse de uma nascente de amor imersa dentro de si mesma.
Era uma energia intensa e envolvente, e ela experimentava poder, entusiasmo e sentia generosidade em seu coração, havia gratidão por ali estar, em meio à natureza, junto daquela garota tão bela e inocente.
Ferhelin sentiu uma aura de luz rosa preenchendo-a e espalhando-se ao seu redor. Ao longe, bem suavemente, sons de harpa pareciam eclodir bem suavemente dentro dela.

A seguir, pensou na paz. Deixando-se invadir por aquela onda de refrescamento interior e de leveza natural, sentiu-se banhada em luz esbranquiçada. Experimentava completa serenidade, felicidade e integração com tudo ao seu redor, havia harmonia entre ela e tudo que a cercava. Sentia-se traspassada por aquela energia que sentia dentro de si e que envolvia tudo que seus olhos alcançavam.

Logo após, pensou na coragem, envolvendo-se em uma energia de poder e de sustento que a fazia sentir-se protegida e invulnerável ao que se insurgisse contra a harmonia daquele momento…

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Trecho do ivro: Ouvindo as estrelas
Autor: Herbert Santos
imagem: Clix

*Ferhelin, personagem central do livro, é uma jovem cientista que encontra a Garota Montanhesa** (uma garota aborígene-canadense de 16 anos) em sua jornada pelas Montanhas Rochosas.

Caso queira praticar a dica dada pela Garota Montanhesa e encontrar sua qualidade-locomotiva vale lembrar o que ela disse: “Não se preocupe em intelectualizar a qualidade. Procure senti-la e perceber seu toque. Pode ser essa a sua qualidade-locomotiva.

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