A energia do sucesso VIII



Fortalecendo valores através do trabalho voluntário - experiência no Instituto Dona Ana Rosa (Associação Barão de Souza Queiroz)

É interessante observar o quanto queremos ser bons, o quanto queremos crescer, mas a pergunta é o que fazer. Há tantas fórmulas mágicas, tantas religiões, mas porque uma é melhor que a outra? Será que o importante não é fazer boas ações como nos ensinaram todos os grandes mestres que passaram por este planeta?

Carol teve a oportunidade no primeiro semestre de 2002 de retomar algo há muito perdido e esquecido. Voltou a dar aula motivada por um curso de Auto-Gerenciamento em Liderança (SML-Self Management Leadership) que fez na Organização Brahma Kumaris. Nesse curso definiu algumas coisas para sua vida e uma delas era montar um grupo de estudos sobre responsabilidade social e voltar a lecionar, afinal ela começou sua carreira aos 14 anos dando aulas de inglês para crianças.

Tudo aconteceu mais uma vez de forma maravilhosa. Ela estava preparando o texto do convite da primeira reunião sobre responsabilidade, que seria realizada na empresa de um de seus clientes. Sugeriu que cada pessoa levasse alguma coisa, que seria doada para alguma Instituição.

O marido dela sugeriu que as doações fossem enviadas para Instituto Dona Ana Rosa. Ligou para a Instituição e marcou uma reunião de apresentação. Carol fez uma visita ao Instituto e conforme caminhava observando a limpeza do local, a Presidente mencionou que seria interessante se alguém pudesse dar aulas de inglês para os jovens do curso de informática, e que também seria bom se as empresas a ajudassem a empregar aqueles jovens.

Carol então se programou para dar as aulas, pediu colaboração para um amigo que tem uma escola de idiomas, e iniciou o que hoje é o Programa de Letras ABC.

O mais interessante é que ela não sabia por onde começar e conversando com Denise Robles, fundadora da ONG Gotas de Flor com Amor, ela disse “eles só precisam de amor”. Ela jamais esquecerá essa frase.

Como havia assistido a uma palestra do Vivendo Valores na Educação, oferecido pela Organização Brahma Kumaris, juntou tudo rapidamente e concluiu que seria uma boa oportunidade de colocar em prática um pouco da teoria.

Suas aulas foram inspiradas na idéia de um curso que havia assistido no fim de semana anterior. Começou sua aula solicitando que cada um se apresentasse e que falasse de um ponto positivo na personalidade do colega ao lado. Eram todos adolescentes e ela ficou um pouco preocupada com o resultado dessa atividade, mas tudo transcorreu tão bem que não pôde acreditar. A sua felicidade era imensa. Era mais uma resposta sobre o resultado do trabalho positivo que estava realizando. Era tão pouco, mas teve respostas tão surpreendentes que foi até o final com as quatro turmas durante o semestre.

Carol lembra-se de um dia em que um aluno falou um palavrão, e ela pediu para que ele sentasse na cadeira atrás do círculo que fez. Ele assumiu seu “castigo” a tal ponto, que ela falou para ele sentar de volta e ele respondeu: “não professora, não posso, estou de castigo” e não quis voltar. Como teve respeito por ele na hora de ser enérgica, ele também teve respeito por ela. Não precisou falar muito, pois logo depois, o garoto passou a ser um dos maiores defensores da classe. Se alguém fizesse algo inadequado, ele prontamente pedia à Carol que mandasse a pessoa para fora da sala. Óbvio que ela nunca fez isso, mas sempre agradecia sua ajuda.

Outra experiência bastante gratificante foi no dia em que os ensinou a cantar parabéns em inglês. Perguntou quantos faziam aniversário naquele dia ou naquela semana: eram quatro garotas. Chamou-as para frente, abraçaram-se e cantaram. Quando terminou, deu um beijinho em cada uma, parabenizando-as pelo aniversário. Durante a aula, observou que uma das meninas não parava de rir; na verdade ela estava chorando de emoção. Na semana seguinte, Carol perguntou àquela aluna como tinha sido o seu aniversário e ela disse que na sexta-feira daquela semana tinha ido ao cinema e ao McDonald´s com um amigo. Foi o presente dela. Acho que ela nunca vai esquecer os parabéns de seus amigos de classe, e nem a Carol.

Houve também outra passagem, com outra garota que se sentava desengonçada na sua cadeira. Parecia muito estranha, pois ela era uma menina bonita e educada. Carol não entendia o que podia estar acontecendo, até que começou a brincar com ela. Pedia para a classe inteira ajudá-la, pois ela estava cansada demais para responder às perguntas. Aí ela começou a rir e a participar gradativamente.

No final do curso, no dia de sua formatura, Carol deu o último reforço positivo para ela. Falou de como ela havia percebido a sua evolução em um espaço tão curto de tempo. E ela espantada falou: “será mesmo?” e novamente reforçou que ela era outra pessoa, e que até a sua postura havia mudado.

Havia outro aluno muito querido que deu um testemunho muito forte sobre o amor, o amor da amizade. Esse aluno era um pequeno líder. Ao falar do apoio que ele tinha dado para um amigo que havia começado a fumar, e de explicar para esse amigo que fumar não era bom, o grupo ficou sensibilizado.

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Ingrid Schrijnemaekers – consultora de Gestão de Mudança na Souza Queiroz Academy (sócia) e professora da Pós-Graduação em Administração da Fundação Getúlio Vargas. É membro fundador do Instituto Vivendo Valores, capacitadora e facilitadora do Programa VIVE Rua Risco (Vivendo Valores na Educação para Crianças de Rua ou em Situação de Risco), e facilitadora do Programa VIVO (Vivendo Valores nas Organizações). Como coach, já auxiliou centenas de executivos a planejar sua carreira. Têm ampla experiência em desenvolvimento de projetos e apresentações pela sua vivência nas áreas de marketing e recursos humanos em empresas nacionais e multinacionais em países como Angola, Argentina, Brasil, Canadá e Estados Unidos.

Foto: disponibilizada por Clix

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