
Criando sua independência – seja livre e sofra menos
Na verdade somos muito presos. Somos presos ao nosso passado, presos ao futuro, presos às nossas histórias, presos aos nossos sentimentos negativos, presos às nossas opiniões, presos às opiniões dos outros e presos ao nossos egos. Nos apegamos fortemente à nossa identidade e aos papéis que desempenhamos.
Temos pouca inteligência ética ou espiritual. Sempre pensamos que fazemos o melhor que podemos, e isso é verdade, mas poucas vezes nos esforçamos para fazer melhor. Para fazer melhor, temos que sair da “ignorância”. Essa ignorância é simplesmente o fato de ignorar uma informação ou um conhecimento.
Como podemos ser independentes se não procuramos o conhecimento para desenvolver-nos?
A zona de conforto é sempre muito boa. Ter coragem para sair dela significa arriscar-se, dar um passo à frente, sem saber o que vai acontecer. Muitos são os motivos que levam uma pessoa a dar esse passo. Na maioria das vezes, esse passo é dado por dor e sofrimento, e essa passa a ser a única alternativa. Mas fazer a opção de desenvolver-se nessa situação de desespero não é forte o suficiente para sustentar a busca e o crescimento contínuos.
O que dá sustento é a reflexão contínua sobre as nossas ações.
Mas, como refletir diariamente se não temos tempo de criar as condições para que isso aconteça? Precisamos criar um tempo que seja só nosso. Esse tempo tem que existir para melhorar nossa personalidade. Existem muitas maneiras de polir essas arestas. Todos deveríamos encontrar tempo para refletir e praticar ações pequenas que exigem algum tipo de concentração e ao mesmo tempo paciência, como, por exemplo, fazer uma caminhada, assistir a um bom filme, ler um bom livro. A atividade deve ser adequada à nossa personalidade, deve auxiliar-nos a nos concentrarmos e esquecermos o mundo lá fora, fazendo-nos refletir sobre a vida e o que podemos fazer para melhorá-la. Pode ser um hobby, o importante é praticar.
É bom encontrarmos uma atividade que nos desafie, porque, idealmente, ao tornar-nos mestres de uma atividade, estamos ajustando-nos interiormente. A correria do dia-a-dia, principalmente nas grandes cidades, leva as pessoas a serem sugadas pelo trabalho, não tendo mais controle sobre a sua vida, que passa a ser artificial e vazia. A pessoa acaba deixando-se sempre para segundo plano. Há relatos de pessoas que dizem que funcionam como robôs, sofrem de estresse e de crises terríveis de enxaqueca.
Será esse o seu caso?
As pessoas não se dão ao direito de ter um tempo somente para elas.
A liberdade vem da conscientização de que somos donos de nosso tempo, do nosso dinheiro e de nós mesmos.
Somos inteiros, logo, não existe a cara-metade. Porque quando falamos da cara-metade, estamos automaticamente assumindo que não somos inteiros, e essa já é uma condição de aprisionamento.
As pessoas são livres para decidir onde querem trabalhar, o que querem fazer e quando querem fazer.
Há pessoas que sentem essa liberdade ao pedir demissão de algum trabalho, que por algum motivo não era adequado para elas.
Mas será que fugir adianta?
Dizem que estamos aqui para aprender e se fugimos de uma situação que temos que superar, essa situação voltará a nos incomodar até que coloquemos um ponto final na história. Caso contrário, ela se repetirá muitas e muitas vezes.
Normalmente não existe planejamento e as pessoas pegam o que aparece. Acredito que os jovens profissionais de hoje planejam um pouco mais do que os de minha época. O ponto importante do planejamento é saber se estamos indo na direção certa. É um momento de revisão, reflexão.
As empresas estão mais do que acostumadas a fazer o seu planejamento.
Por que as pessoas também não fazem o seu planejamento individual?
Carol fez um planejamento pessoal aos 14 anos, com um manual que o seu pai lhe havia emprestado. Ela era jovem demais para utilizar aquele material, mas certamente a ajudou muito. O conceito de que você comanda a sua vida foi o mais valioso.
O que falta, muitas vezes, para alcançar um objetivo é coragem ou determinação. O importante é ouvir sua voz interior, o seu eu. É importante ouvir para seguir a sua vocação e definir a sua missão.
Convite à uma Dinâmica
Lembre-se de um momento em sua vida – uma ocasião em que você mudou e seguiu adiante, e com isso atingiu o sucesso.
Descreva uma situação presente em sua vida, que você poderá melhorar, se você realmente mudar. Pense no passado, em o que te motivou a mudar, e traga esta força para o momento presente. Porque você não muda, para que possa dar certo? O que você deve mudar, para que dê certo? Como mudar?
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Ingrid Schrijnemaekers – consultora de Gestão de Mudança na Souza Queiroz Academy (sócia) e professora da Pós-Graduação em Administração da Fundação Getúlio Vargas. É membro fundador do Instituto Vivendo Valores, capacitadora e facilitadora do Programa VIVE Rua Risco (Vivendo Valores na Educação para Crianças de Rua ou em Situação de Risco), e facilitadora do Programa VIVO (Vivendo Valores nas Organizações). Como coach, já auxiliou centenas de executivos a planejar sua carreira. Têm ampla experiência em desenvolvimento de projetos e apresentações pela sua vivência nas áreas de marketing e recursos humanos em empresas nacionais e multinacionais em países como Angola, Argentina, Brasil, Canadá e Estados Unidos.
Foto: disponibilizada por Clix