
Há nos relacionamentos atuais, um mal hábito bastante comum e utilizado principalmente, com aqueles que nos são mais próximos: julgamentos baseados em uma visão leviana e/ou num mal-entendido.
Esta visão leviana, geralmente é fruto de pouco refletirmos e desejarmos precipitadamente emitir a nossa opinião sobre algo ou alguém. Devemos estar sempre nos verificando quanto ao uso de tais expedientes, já que as bases para eles são os sentimentos de ciúme ou criticismo, amparados pela raiva. Também podem ser frutos de um mal-entendimento acerca dos princÃpios que norteiam as relações humanas. Se é verdade que somos todos semelhantes no que é interno, somos singulares e Ãmpares tanto na superfÃcie, quanto no âmbito emocional, portanto se torna insensato eu querer me comparar com os outros. Isto acontece quando a consciência se encontra frágil e envolta pela visão limitada e é então, quando surgem os sentimentos de inferioridade ou superioridade, que são os principais geradores do ciúme e do criticismo.
E como me desviar deles então, ainda mais se este já se tornou um costume arraigado? Sabemos que a inveja, é um forte desejo de possuir o que é de outrem, mas isto acontece justamente quando eu in – vejo o que tenho (in = não + vejo). Criei este neologismo para colocar que, quando não estamos atentos à s nossas aquisições ficaremos sempre impressionados pelas dos outros, ainda que as nossas sejam muito boas. É preciso que tenhamos o hábito salutar de, diariamente trazermos diante de nós, a realidade de nossas aquisições, que nada mais são que as qualidades, virtudes e valores que nos tornam especiais, logo, nossas especialidades. O meio mais eficaz de fazermos isto, é através de nos beneficiar com momentos de solitude e quanto mais apreciá-los e desfrutá-los, mais nos valorizaremos, sem precisarmos diminuir ou mesmo adular aos demais. Afirmação e apreciação positivas costumam conferir elevação onde quer que ajam e enquanto estivermos reforçando a nossa atenção em busca do positivo em nós mesmos, crescem as chances de o mesmo fazermos com os outros.
E se formos nós as vÃtimas destes maneirismos? Uma boa estratégia é ver as muitas versões que costumam conferir a nós, apenas como opiniões, que diversas vezes estão fundamentadas por conceitos e preconceitos, inerentes à visão finita que o outro possa ter. A maneira como ele se enxerga no mundo, determinará o modo como ele atuará com os demais personagens desta imensa peça. Se por sua vez, tais opiniões vierem de um estágio mental momentaneamente instável, o ideal é procurar ter bons votos e paciência, considerando que estes são o poder e a luz necessários para auxiliá-lo a se elevar. Deixe que o que está no porvir cumpra o papel de prover-lhe ao que seja suficiente, em prol desta mudança positiva.
Tenha a fé de que Deus e a própria vida, saberão o que fazer para conduzi-lo até seu destino. Mantenha misericórdia, pois de fato, ele não deseja introduzir em você um igual ferimento, mas sim, quer apenas ajuda para tratar da ferida que carrega e que o levou a aproximar-se de ti. Assim como um ferimento fÃsico nos tira tanta energia, aquela ferida interna também assim procede com a alma.
Além do mais, se alguém já tem com que se ocupar e se curar para continuar a sua caminhada, permanecer lembrando-o de seu erro será como chutar-lhe o calcanhar ou tornar-se pedra de tropeço para que caia. Se me lembro que a verdade sempre se revelará, porque deveria eu atirar sal na ferida do outro? Seria como errar três vezes: uma, por aceitar para mim uma dose de sofrimento que talvez não me coubesse; duas, por não ajudá-lo a se curar e três, por levá-lo a um quadro de piora. Agir de tal maneira, é dar razões para que a mente e intelecto permaneçam ocupados com coisas miúdas.
Acaso os outros não tenham ainda o método e a força para introduzir pensamentos puros e positivos, não importa, é minha tarefa tê-los por todos, mesmo que sejam para aqueles que me difamem. De que outro modo podemos esperar por um mundo melhor? Só pode haver sentimentos puros através de desejos puros, então que o desejo sincero seja o de beneficiar a todos. Quer sejam gentis ou mal-educadas comigo, eu não deveria deixar as influências e negatividades alheias interferirem no meu processo interno. Por isto é que funciona, enquanto em solitude, imergir no Oceano de silêncio, já que mesmo quando a superfÃcie de um oceano se encontra agitada e barulhenta, é nas profundezas que encontramos a calmaria, a vastidão e as pérolas valiosas, que são por todos nós desejadas.
———————————————————
Ney Robson, programador de computadores – São Carlos/SP
ExtraÃdo do blog – DiscÃpulo da verdade (http://ney_robson.blog.uol.com.br)
Foto: disponibilizada por Clix