Sobre dons e brilhos

Sobre dons e brilhos.

Ali, naquela experiência com a Garota Montanhesa, Ferhélin dava início à sua jornada pelas Rochosas Canadenses e, como confidenciou mais tarde, pelas descobertas do coração. Sentia-se ultrapassando obstáculos que bloqueavam o caminho rumo a algo sublime e genuíno que se escondia por trás da rigidez e de medos, fantasiados de solidez e provas concretas, realidades com as quais convivia diariamente.

— Há alguns acontecimentos interessantes na vida. Pode ser uma montanha, um rio, uma pessoa, um animal, cristal, aroma, lago, nuvem, não importa. É incrível como cada ser ou “objeto” parece ter algo “peculiar”, que lhe dá uma magnitude especial e a impressão de fazê-lo mais reluzente e digno de estar vivo. Você vê assim? — perguntou Ferhélin.

A Garota Montanhesa sorriu em sua inocência e apenas disse: — Brilho!

Após alguns segundos de silêncio, sendo observada por Ferhélin, ela complementou:
— Quando vejo o sol ou as estrelas, sinto que seu brilho está falando comigo. Sei que são seus dons naturais que estão se expressando. Observe o rio abaixo de nós. Parece feito de diamantes brilhando em sua superfície. Observe os animais ou as aves e sinta seus olhares. O mesmo com as pessoas! Elas “funcionam” de acordo com o brilho que se permitem expressar.

Quanto mais expressam seus dons, mais brilho trazem em suas vidas. Ele não pode ficar escondido. As pessoas não podem permanecer sufocadas por preocupações com o passado ou ansiosas sobre o futuro. Elas podem escolher viver mais o presente, essa é a verdade. A relação humana com o tempo é diferente da visão que a natureza tem. O passado, assim como o futuro, está sempre incorporado pela natureza, sempre no momento presente.

— Isto é algo para ser pensado — refletiu Ferhélin.

Notas:
*Ferhelin: personagem central do livro, uma jovem cientista em sua jornada pelas Montanhas Rochosas.
**Garota Montanhesa: jovem aborígene-canadense.

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