Uma semente, um mundo ecumênico

Uma semente, um mundo ecumênico.

Ferhélin* observava atenta ao que ele falava e comentou:
— É verdade, quando há situações de grande instabilidade, o que vale são as atitudes, mais que tudo. O que podemos fazer nos momentos de grande dor para uma pessoa?

O Mestre** enfatizou:
— Sinto que a solidariedade, o respeito ou a simples companhia são instrumentos de auxílio e de real ajuda. Nesses momentos, as grandes teorias não fazem sentido. Não adianta falar muito. Pequenos gestos solidários têm um efeito muito maior.

Para o planeta, funciona assim também. Em situações de grande dor e de dificuldade não é o momento de julgar. A grandeza está em, no mínimo, estender a mão em auxílio ou manifestar respeito e sinceridade. Se pensarmos um pouco, entenderemos e aceitaremos que, nesses momentos, as diferenças não fazem sentido. O que importa é o gesto de respeito, de compreensão e de entendimento. Não devemos chegar ao caos para criar laços que unem. Temos a responsabilidade de fazê-lo agora. Enquanto há tempo. Não devemos esperar o pior para, então, manifestar a solidariedade, a paz e amor. O momento é agora!

— Como podemos chegar a isto? — perguntou Ferhélin, que parecia empenhada em fazer sua parte.
— Gandhi usou uma frase interessante: “Nós devemos ser a mudança que queremos para o mundo”. Pelo que sei, cerca de oitenta por cento da humanidade, ou mais, tem algum tipo de fé. Acredito que será possível haver um mundo ecumênico, onde as diferenças não mais serão ressaltadas. A energia de Deus é a energia do bem e da paz. Os sentimentos do desrespeito e da intolerância, da raiva e da violência, são sentimentos que nascem no ego. Tenho absoluta certeza de que esses sentimentos - independente da razão por que surjam, não têm nada a ver com Deus e com o que Ele quer para o mundo.

Creio que quaisquer que sejam as crenças ou teorias, o foco deveria ser o de colocar em prática a “essência” e não se perder em detalhes ou semântica. Ou seja, não prestar atenção às diferenças e sim, procurar as convergências, pois elas existem. Para tanto, penso que o caminho está em praticar o que é mais sagrado para si e deixar que os outros também o façam.


Trecho do ivro: Ferhélin, Ouvindo as Estrelas
Autor: Herbert Santos Silva
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Notas:
*Ferhelin: personagem central do livro, uma jovem cientista em sua jornada pelas Montanhas Rochosas.
**Mestre (Mestre Yogue): personagem de um dos encontros de Ferhélin em sua jornada.

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