
Olhando para as montanhas que as cercavam, a menina disse:
— O vento bate! A brisa acaricia!
Ferhelin ficou surpresa com o que ela havia dito — sua face esboçou um sorriso suave. Por segundos, permaneceu pensando naquelas palavras.
— Devemos aprender a entender a linguagem da natureza. Agora a brisa está acariciando você — disse a garota chamando a atenção de Ferhelin.
Assim começaria sua jornada de encontros pelas Montanhas Rochosas. “Uma jornada entre as linguagens da razão e as do coração”, como ela descreveria posteriormente.
O contato com as Rochosas Canadenses parecia dar origem a novos sentimentos, percebeu Ferhelin, quando a garota perguntou:
— O que você acha daqui?
Ferhelin permaneceu pensativa por instantes enquanto a garota sentava-se à sua frente. Ela estava vestida em trajes diferentes e incomuns. Eram vestimentas, que veria mais tarde, típicas do First Nation’s People1, como são chamados os aborígines canadenses.
A jovem a olhava nos olhos quando disse:
— As montanhas falam. Ao olhar para dentro delas com atenção, verá mais do que vê agora e saberá ouvir o que elas têm a falar. Verá sua beleza, sua história, a combinação das diferenças que criam sua harmonia e observará sutilezas que, só quem as vê com olhos de “amigo”, consegue ver.
O trecho acima refere-se a um encontro entre Ferhelin (pronuncia-se: Fer Rélin), personagem principal do livro ‘Ouvindo as Estrelas”, de autoria de Herbert Santos, e uma garota aborígene nas Montanhas Rochosas canadenses.
Imagem: Clix